domingo, 27 de dezembro de 2009

Simples engano

Eu andava, mas minha vida estava parada
E no momento em que parei, inopinadamente, minha vida andou
Foi por causa do engarrafamento que nos cruzamos
Conhecemos-nos, posteriormente, maldosamente, nos amamos

O vento soprou a nosso favor
Em uma sublime conspiração
Contudo, às vezes o destino cai em meio ao vão

E o destino é irônico
Porém, irônico também sou
Porque tenho mania de acreditar neste tal de amor.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Imagem de um soneto

Vermelho pare
Verde siga
Amarelo repare

Você pode vestir qualquer cor
E ainda assim irei notar
Ignoro roupa e adereço

É mais do que isso
É puro apreço
São seus olhos e seu calor
Vestida ou nua, em casa ou na rua

Só me interessa seus olhos
Foram eles que me fizeram atentar
Veste-me a alma, a vida
Tanto quanto o amor o soneto dá cambalhota.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Madureza

É evidente que só amadurecemos de verdade nos momentos do nascimento e da morte, e esses podem ser de entes distantes ou próximos, porém queridos. Entretanto, indubitavelmente com o nascimento de nossos filhos - dizem os mais velhos, e a nós cabe aceitar e respeitar - amadurecemos como nunca, sequer, pudéssemos sonhar. Portanto, nosso crescimento está diretamente ligado às nossas perdas e ganhos, afora disso as outras experiências são apenas complementares, cotidianas e corriqueiras, porém não menos importante. E desta forma se constitui a vida, em um sincretismo empírico, no qual a teoria se faz presente, além de bonita, todavia a vivência se mostra imprescindível.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Causa e efeito, efeito e causa

Felicidade e tristeza, felicidade e tristeza, felicidade e tristeza. Andam lado a lado este par de palavras, como um casal completamente apaixonado, unidos por um amor eterno. Portanto, por mais feliz que esteja não pare e não se anestesie, pois a lágrima está chegando, no entanto também não se preocupe com ela e viva a alegria em sua plenitude. Doravante, ao estar triste não se incomode de lavar as maçãs do rosto com seu sal interior, isto não é demonstração de fraqueza, pelo contrário, é pronta recuperação e reconstrução de sua fortaleza, pois sua felicidade voltará junto a um sorriso entorpecido, feito o sol que se pôs, hoje, e nascerá outro dia.

domingo, 29 de novembro de 2009

Quem somos? Se somos...

Humano? Quem disse que nós somos? A partir de qual critério poderemos nos encaixar nesta qualidade? Diz-se de humano um ser bondoso, compassivo e de ações humanitárias aos nossos semelhantes, pois esta definição retrata fielmente, tudo, aquilo que não somos. E não somos assim, por vontade própria, porque deixamos um outro ser idêntico a nós ao léu, abandonado ao calor e frio, sem mesmo poder discernir qual o pior. Entretanto, nossa “humanidade” não se contenta apenas a isto, posto que há também os que morrem doentes, ou de fome ou de outro mal que venha acometê-los, porém nos é indiferente. Portanto, somos, nós, humanos? Não sei até que ponto devemos desse modo nos adjetivar, tal qual a característica de raciocínio, essa se é que de fato a fazemos. Logo, se temos a alcunha de ser pensante, agrava-se ainda mais a situação, degradante, de nossa espécie, porque teoricamente pensamos antes de agir. E o pior, o mais detestável, aquilo que deveríamos olvidar, é que apesar de tudo, com a ausência ou presença de preocupação, dormimos bem.

domingo, 22 de novembro de 2009

A praia

A praia está para mim, como o álcool para o ébrio, boêmio e alcoólatra. É vital, visceral para nós. Todavia, a diferença consiste em não afogar mágoas, de modo feito, geralmente, por um dependente, e sim, esquecê-las, apagá-las, e encontrar, novamente, a serenidade. Essa é possível, exclusivamente, com a clareza da areia, o doce requebrado das ondas e a voz suave da praia. Ela, A Praia, é o único resquício natural perante a cidade, parece que ela é a verdade sozinha mergulhada no mundo das falácias. Mas de fato, é que sem ela, sem mar, sem areia e sem a brisa marítima, eu não viveria, apenas sobreviveria mecanizado.

domingo, 15 de novembro de 2009

Palavras

Elas precedem os olhares antecessores ao beijo
Por vezes são gritadas, discutidas, apertadas e atrevidas
Noves fora as dos rancores, tristezas e dissabores
Elas são belas!
Transcorrem conselhos, amparo e sutileza
Mas as imprescindíveis são de carinho e amor que ardem em desejo
Esses são os poderes das palavras e sua real beleza
Pois se fazem antecessores aos olhares precedentes à embriaguez do beijo.


PS: Peço desculpas, aos que acompanham e estimam o blogue, pois por motivos pessoais fiquei duas semanas sem postagem, tampouco sem dar satisfações, algo incomum e que não irá se repetir.

domingo, 25 de outubro de 2009

Cárcere

Estou preso
E o cárcere sou eu
Não tenho para onde fugir
Inúmeras vezes pergunto-me:
Quem sou?

Há centenas ao meu redor
Mas inexplicavelmente estou só
Fujo com os olhos da mente
Pois a boca, com palavras, mente
Enquanto os olhos fugitivos são sinceros

Minha fuga não tem destino
Mas será que quero, realmente?
Não sou quem sou, porque, agora, minto.
Mas volto a ser para ti, quando desminto
Porque, de você, não escondo meu sentimento

Porém, neste instante, alguém vem de lá
Com palavras, pseudamente, carinhosas
As quais chegam como afago feito à mão
E vou me enganar de novo
Nesta absoluta certeza: Minha escravidão.

sábado, 17 de outubro de 2009

Memórias de um cidadão comum

Esqueci de nascer, fui defenestrado do ventre materno e o mundo, sem pedir, ganhei. Para o qual vim sem choro tampouco risos. Esqueci de ser educado, cortês. Esqueci de aprender o português, menos ainda o inglês, entretanto aprendi volapuque. Esqueci de estudar, mas não de ganhar dinheiro e trabalhar. Esqueci um “por favor”, um “muito obrigado”, um “com licença”, pois isso não interessava. Esqueci da vida, mas não do dinheiro. Esqueci do próximo, do ser humano, porém jamais de mim. Esqueci de minha família, pais, irmãos e amigos, pois tinha meu salário, e ele era assaz. Esqueci da mulher e filhos, porque não precisava deles, bastava-me a orgia, e eles só me traziam gastos. Esqueci de amar, posto que, apenas, me interessava ganhar. Esqueci de esquecer o passado e notei o não esquecimento de mim, porque nunca fui ninguém/alguém, porém o pior quiçá tenha sido esquecer de morrer, mas talvez tenha sido por, no princípio, ter esquecido de nascer. Portanto, ainda, vivo e sobrevivo sem nada e alguém, contudo vou comprar o meu cigarro, pois dele nunca esqueci.

O egoísmo é marca daqueles que sequer se conhecem, e, muito provavelmente, por isso tenham medo de conhecer aos outros.

sábado, 10 de outubro de 2009

Vidas diferentes?

Ele e Ela foram gerados em um lugar, por deveras, insólito, mas de concepção normal ou leia-se, quando o pai e a mãe encontram-se um dentro do outro e, consequentemente, o outro dentro de um. E seus pais, neste caso, por mais bizarro que venha parecer, eram dois casais unidos pela amizade e furor da juventude e talvez por causa dela, tiveram a ideia, extremamente louca para alguns, de se mudarem para a natureza e lá viverem, somente, a custa dela, por um pequeno período. Entretanto, a ausência de distrações impelia aos casais para as mais antigas delas, e assim seria para o homem a mulher e para a mulher o homem, contudo sem as modernidades, e, portanto, sem contraceptivos, após nove meses, cada casal foi iluminado com uma nova vida, e quis o destino que viesse um homem e uma mulher. Por tanto, estes novos seres, concebidos dessa maneira diferente, assim foram crescendo, desconhecendo a civilização, modernidade, tempo, dinheiro, pontualidade, atraso, necessidades sociais, vergonhas, palavras deste tempo como: estresse, religião, dogmas, comandos Estatais e particulares, preconceitos, maldades, bondades fingidas, interesses para isto ou aquilo e, acreditem, sem Deus, logo sem pecados, culpas, perdões, penitências e indulgências religiosas. Pois este conceito divino e seus preceitos não puderam ser passados pelos seus descendentes, uma vez que devido a uma casualidade, destas comuns em todos os cantos ou esquinas, a vida dos dois casais progenitores foi tirada inopinadamente, assim como se diz, sem aviso prévio, de modo súbito.

Por conseguinte, aquelas crianças, um garoto e uma garota, então, ainda aprendiam a falar, descobriam as primeiras amostras gratuitas da vida, conquanto tão cedo conheceram o seu oposto, a morte. Todavia, pequenos demais para entenderem e também para morrerem, foram sobrevivendo um com o outro, destarte a se descobrirem desde cedo, a qual desta luz podemos fazer a ilação sobre o sentimento cultivado entre eles, e de fato foi o companheirismo arraigado e o amor mais entranhado que se tem notícias.

Eles, assim sendo sob o nosso ponto de vista, pecaram os prazeres corporais desde cedo, quando os hormônios começam a entrar em ebulição, acerca disto também ignoravam, apenas eram tomados pela vontade e escolhas não tinham. A saber, devemos que igualmente aos pais não duraram muito, e primeiro ela se foi e por dores de ausência, solidão, e coração, porém nele verdadeiro como nunca se foi no mundo, ele finou-se por saudades. E até hoje não sabemos se essa real história inventaram ou aconteceu. Do mesmo modo que não sabemos se morreram por castigo divino ou por que é da natureza um dia, cedo ou tarde, findar-se.

sábado, 3 de outubro de 2009

Não se vive mais...

“Me morro” todos os dias para poder viver ou, o mais aconselhável seria, sobreviver. Pois bem, uma de minhas infindáveis dúvidas, se não a maior, é essa se sobrevivo ou vivo, mas o sabido por mim e pelos outros é fazer inúmeras tarefas e trabalhos não apreciados e não bem quisto, por nós, para receber aquela quantia pecuniária ao término do mês. E quando este chega trazendo consigo o início do próximo e o salário, ficamos por momentos, inúteis, felizes, porque podemos comprar aquela roupa, aquele aparelho, aquela noite, aquele carro, aquela casa, e ainda aquela mulher (para uns) ou aquele homem (para outros). Ou seja, abreviamos nosso interesse em viver a fim de realizar desejos, somente, materiais e terrenhos, no mundo o qual todos são clientes e já não se é mais humano, tampouco cidadão, porém, claro está, há como sempre exceções, logo se considere do modo que bem entender, visto que não tenciono julgar ninguém, menos ainda em dividir, como se criou hábito na era contemporânea, nos errados e certos.

Portanto, ao sentir o vento gélido e feroz, da janela deste ônibus, reflito sobre a vida e pergunto-a se vale à pena sobreviver, se vale à pena “me morrer” cotidianamente, se vale a pena viver. A medida que, para mim, viver seria a harmonia plena de um dia de sol na praia e uma noite de luar as estrelas, entretanto mato-me, diariamente, fazendo algo não apetecido, a despeito de bastante aprendizado, mas espero a aposentadoria, pois nela almejo viver, no sentido cabal da palavra. Contudo, se “assassino-me” todos os dias para um dia, aquele restante, viver, talvez seja mais eficaz acreditar na sacrossanta igreja, a qual diz que ao morrer ascenderemos à vida eterna. Amém!

sábado, 26 de setembro de 2009

O céu

Estava olhando o céu
O meu pensamento ao léu
Avistava a crescente
E embaixo dela o mar

Formava com as estrelas o seu semblante
Permanecendo a brilhar
Os seus olhos claros, lindos e raros
Eu apenas em bobo apaixonado, como os loucos

E a noite crescia
A escuridão queria
À vista, a imagem da lua
Na mente, ela estava nua.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Um choro

Choro porque não sei transformar o sentimento em palavra peso, e com esse peso eu fico, pois o meu interior desaprendeu, ainda que por instantes, a fazer esta tradução. Portanto, me perco no meu preenchido vazio, sem nada e ninguém, apenas contigo, enquanto, elas, as lágrimas ganham as minhas maçãs faciais de forma idêntica as folhas, quando no outono, encontram o chão. Contudo, a árvore, tanto quanto quem vos escreve, não sabe e nem consegue dizer para a terra, a minha amada, do seu amor, mas assim assimila, senti e demonstra esta ternura, por você. No fim, exatamente, no momento da dúvida cruel, não sei distinguir se esta água a molhar o latifúndio do meu coração é lágrima final ou chuva para o plantio.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

O Brasil

Inocente.
Sem dente?
É criança!
Sem esperança.

Mas apaixonante,
Amante.
Sonho delirante,
Erro berrante.

Futuro?
Pra quê?
Somos um país dele!
E o povo ignorante.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Atemporal

Desejaria ver algum ano não chegar ao fim, e poderia ser esse ou o próximo ou, até mesmo, outro ano qualquer daqui um século, por exemplo. Mas antes de levantar a suspeita do desejo de uma vida eterna ou um ganho de experiência sem somar mais idade, peço para esquecer tal portento, pois minha idéia é abreviar os dias 31 de dezembro e 1 de janeiro – suplico remissão aos aniversariantes das datas – do calendário, a fim de tirarmos a ilusão das pessoas de “ano velho” e “ano novo”, porque a vida é um número de anos transcorridos coligidos como se fosse, somente, um ano.

Arriscaria-me, até, a vaticinar que se assim se sucedesse o ser humano seria menos acomodado, não esperaria o ano seguinte para protestar, se opor, argumentar, agir e, ato contínuo, fazer. De modo a não esperar sentado as mudanças da vida, sem aceitar respostas pré-fabricadas, sem ouvir conceitos formulados, não deixaria à cabeça uma solução divina ou qualquer outro poder transcendental, não teríamos músicas alienantes, não esperaríamos o “ano que vai nascer”, porquanto nascido para todo o sempre já estaria, e , por fim, mais duras fossem as circunstâncias, porém, seríamos mais independentes ou menos prisioneiros.

Talvez, se dessa forma ocorresse, viveríamos e não, apenas, olharíamos o constante movimento de vai e vem do pára-brisa, no qual se tornou o viver. Contudo, para não escorrer o costume e até mesmo me adiantar a ele, desejo a todos, embora no meio do ano, um próspero ano novo, neste vindouro, porque este vivente, você crê que acabou.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Dualidades

Temos o costume, nós seres humanos, de dividir qualquer situação entre bom e mau, de céu e inferno, de Deus e diabo, ou seja lá qual for a dualidade escolhida. Portanto, o importante é saciar a sede dos opostos e dos sentidos contrários, e tal qual qualquer outro mortal não serei diferente e, desde já, dividirei a vida em dois caminhos, pois desta forma me convém e caso discorde, separe na sua mente do modo mais conveniente, destarte os meus são eles: A Alienação e O Conhecimento. – Pus ambas de iniciais maiúsculas a fim de não beneficiar o partido a ou b.

Em razão da massificação imposta pela sociedade é normal se preterir a alienação em detrimento ao conhecimento, porquanto este é tido como ouro e dos raros. Porém, ela, a massificação social, convém impor ao título de conhecimento o que é de seu gosto, logo ignorando e prescindindo do verdadeiro conhecimento. Entretanto, aquilo a que ela mesma ignora responsabiliza o misticismo ou o divino, pondo-os a cargo disso e daquilo, criando um novo conhecimento, contudo se alienado ou não, aprimorado no conhecimento ou não, Deus o perdoará. Nalgumas situações preferia ser totalmente alienado, noutras totalmente tomado pelo conhecimento, conquanto não seja nenhuma tampouco a outra, mas certo desta vida, de via única, é buscar a felicidade. Ademais, de uma circunstância tenho convicção, que os alienados, de tudo, são, ao menos pseudamente, felizes.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Apenas um ato

Seus olhos claros cravaram minha vida como fizeram os pregos com Jesus na cruz, e o meu sangue se confunde em meu corpo perante o sacrifício que é tê-la distante ou, simplesmente, não tê-la. Mas se o sacrifício de Cristo foi fatal e em prol da humanidade, o meu não é, pois se caracteriza habitual e em um similar autoflagelo cujo nome dado, desde as antigas canções de amigo, é amor. E lá, estava eu, com minha vida pregada por causa daqueles olhos claros, lindos e raros, com o meu corpo a definhar, encarquilhar, e morrendo aos poucos pelo único e grave motivo de amar, desta forma caminho para a morte, claro está, que esse é o nosso fado, pois não nascemos, apenas, iniciamos a morrer. Contudo, permanece o meu corpo a ser devorado pela vida ou pelo restante dela, e, agora, meu peito sente o cutelo lancinante a findar-me a vida. Tudo isso, fruto e usufruto do amor, porém podia me salvar, e na verdade se desejares ainda consegues, da figura gélida da morte, me resgatar. Para tal, basta, somente, fechar os olhos e negligenciar, porque o beijo é a primeira conseqüência. Tu, mulher, âmago do pecado que és, poderá, por força do Poderoso, retirar da cruz um homem parte do seu ser, milagre esse do qual nem Ele fez pelo Primogênito.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

A mulher mais...

A mulher mais culta que conheci não tinha ensino superior.

A mulher mais bonita que conheci não seria apontada, como tal, pelos padrões de beleza vigente.

A mulher mais inteligente que conheci era recheada de mania e defeitos como qualquer humano.

A mulher mais chorona que conheci era um berço de riso na alegria.

A mulher mais risonha que conheci era um rio de lágrimas na tristeza.

A mulher mais mulher que conheci era paradoxal tal qual, todas, as mulheres.

A mulher mais amada, por mim, que conheci era a que mais me amava.

A mulher mais importante que conheci era aquela sempiternamente presente ao meu lado.

A mulher mais especial que conheci morava junto comigo.

Ela me ensinou a viver, assim fazia, do mesmo modo que qualquer mero mortal e seus aprendizados foram assimilados ao longo dos meus dezoito anos até quando em um átimo inopinado de tempo tudo foi abreviado, e por isso foi, portanto, também quem me ensinou a morrer.

A única mulher que amei e a única que me amou, por assim dizer sobre o verdadeiro amor e não aquele perecível comparado a flor.

Foi, és e será parte da minha vida, pois guardo no peito, para todo o sempre, o seu último eu te amo, o seu último sorriso. O amor e a saudade te acariciam ininterruptamente...

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Dois lados

Sabemos seja por conta própria ou através da imprensa que o Brasil é um dos países no qual a força tributária é imensurável, e só não me arrisco a taxar como segundo em carga de tributos em todo o mundo por não ter absoluta convicção, e como sabido é, este blogue apresenta-se, sempre, fiel a verdade, não obstante a inventar algumas para demonstrar a veracidade, e se procurarmos no dicionário encontraríamos como sinônimo, para tal elucidação, a palavra parábola.

Pois bem, não irei pôr-me a tergiversar e tentarei ir direto ao cerne da questão a qual pretendo discutir. De um modo geral, o Brasileiro paga impostos, caros em sua maioria, sobre tudo consumido, inclusive naquela cachacinha da qual o bêbado jamais desconfia ser onerado, claro está, que pus de “modo geral”, pois somos sapientes da existência das irregularidades da lei, contudo a disfarçaremos e trataremos somente da parte legal. Vamos nós.

Paga-se impostos ao governo e não se tem uma rede de saúde compatível aos altos valores retirados dos bolsos, cada vez mais vazios, do Brasileiro. E juntamente com a saúde vemos a educação a ser deixada de lado, mas vamos ser justos com nossos governantes, eles são coerentes no ponto educacional, uma vez que se gerarem cidadãos inteligentes e questionadores dariam “um tiro no próprio pé” e “a bala sairia pela culatra”. Portanto como os políticos também são Brasileiros, jamais serão trouxas, pois esta definição eles marcam, tal qual boi, em nossas testas.

Todavia, para esses dois problemas, um tangente a saúde e outra a educação, os nossos geniais, insólitos e prodigiosos governantes já puseram em prática “soluções” e para ambas é a mais simples possível. Se pensaste em privatização acertaste como um gênio do capital que és. Logo, a ilação é tão evidente quanto à morte, quem tem privilégio financeiro tem do bom e do melhor, como é dito na gíria, enquanto os restos se consolam em ter ao menos uma coisa igual aos privilegiados e esta é a já citada morte. Pois bem, infelizmente a meu ver e felizmente aos olhos alheios, o Brasil e inúmeros países vivem assim, e caso protesto tenha não tarda dos protestantes serem alcunhados de desordeiros e serem calados através da, única, psicologia indiscutível, isto é, a brutal.

Então, tratarei de um assunto mais, à primeira vista, inofensivo, porém também muito rentável aos cofres públicos. Refiro-me aos guardadores de carro ou dono das ruas, aos quais ficamos submetidos, ou melhor, seria dizer reféns. Por conseguinte, analisemos o âmago da questão. Se pagamos impostos, por que devemos pagar por estacionar o carro na rua, se a segurança dos carros e os locais onde ficam são da competência pública para usufruto da população, a qual, repetimos para se compreender bem, paga seus impostos. Enfim, somos obrigados a pagar duas vezes, pois caso contrário está arriscado o carro ser depredado e o valor do prejuízo ser incalculável.

Para falar a verdade, o certo e melhor é não nos preocuparmos com isso, não lutarmos por nossos direitos, tampouco ser chato e inconveniente como o autor do blogue, quiçá o certo é proceder e fazer como se diz a boca pequena: “Deus ajuda quem cedo, e calado, madruga.”

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Comemorai

Há quarenta (40) anos o homem pisava na Lua, essa é a notícia de jornais, será mentira ou verdade perguntam, desde 20 de julho de 1969, alguns. Porém, do que interessa se é mentira ou verdade isto, qual a relevância se chegamos ou não à Lua? Se ao olharmos para Terra vemos mortes, ou seja, o homem ganha a Lua enquanto outros sequer ganham a vida. Então, alguns cientistas e outros fanáticos pela ciência irão bradar aos sete ventos a minha heresia e a minha ignorância em não aceitar ou desvalorizar tal avanço, mas isso não faço. O que faço é pôr tal “façanha” em segundo plano, uma vez que em primeiro plano, ao meu ver, deve encontrar-se a humanidade, contudo ela morre aos poucos, morre de fome, na África, e ninguém ou quase ninguém se importa ou importa-se quando convém, isto é, com a existência de algum motivo político atrás das cortinas de “preocupações”.

Outrossim, há dois mil e nove anos (2009) temos a luta em nome do Senhor pela terra prometida a uns e negada aos outros e as guerras santas se sucederam, em nome de Deus, e assim lá se vive com a sombra dos mortos sobre os vivos e a imagem dos falecidos a tapar o futuro e vida dos que ainda, por que Deus quer, respiram por aqui.

E ao caudal os milhões investidos no espaço, literalmente, vão, como dizem no linguajar popular, para o espaço, pois o ser humano morre de fome – não apenas na África que deixemos claro, e sim, em inúmeros lugares espalhados pelo Globo Terrestre, incluindo países desenvolvidos, onde a miséria é patente, apesar de tentarem "mostrar" como latente – e estima-se que uma parcela ínfima desses investimentos estratosféricos seria suficiente para alimentar tais humanos e evitar sua morte prematura, uma vez que morrer todos nós vamos, entretanto isso não é assaz às grandes nações, aos grandes empresários que mandam e desmandam no mundo. Logo para eles vale mais lutar e tentar alcançar outros planetas, e quem sabe aumentar o seu mercado consumidor e ser dono de dois planetas, destarte levando também, consigo, a fome e a miséria, pois essas vão na sua bagagem. É, até que não é má idéia eles encontrarem outro planeta habitável, então, sonho eu, se mudam e nos deixam em paz para tentarmos nos organizar e, por que não, chegarmos à qualidade, novamente, de humanos que perdemos pelo caminho.

Mas não devemos nos atar a todos esses meandros de problemas, vamos soltar fogos pela chegada do homem à Lua é o que diz a TV, e se essa é a luz que nos ilumina e nos faz enxergar, não há porquês para duvidar, sejamos felizes com aparências e esquecemos a realidade e verdade, elas são fugazes. A propósito, comemorai, já há quem, por vós, chorai.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Cabelos

Tenho o cabelo dos que se encontram na juventude, de penteado e corte quase militar; minha mentalidade parece tê-los brancos; as chuvas de reclamações, diárias, são fidedignas de quem os não possuem mais; o sorriso imanente a mim assemelha-se ao daquele que nunca o teve e ainda sequer aprendeu alguma palavra; a mania de perfeição, a qual não consigo me livrar, remete-se aos que vivem com ele bem penteado, tanto para sair como ao voltar do trabalho; a preocupação acerca de meu futuro lembra aos dela, aqueles bem cuidados e tratados semanalmente, pois apenas nossas progenitoras os possuem; a rebeldia é igual ao meu irmão, bagunçado e jogado pro alto, como se acabasse de acordar. Os cabelos alheios talvez me descrevam bem, ou talvez, somente joga-te para o alto, como faço com os meus. Pois é certo, se penteio-o de modo a suspender a franja e o vento se encarregar de desfraldá-lo, então análogo ocorre a minha vida que permite ao vento levá-la, porém ele, também balança meu coração e no fim tremulam juntos, o cabelo, a vida, o coração.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Os nãos

Quantos nãos são precisos para conquistar um sim?

Quantos nãos são precisos para ganhar um sim?

Quando virá o último não? Seguindo, por conseguinte, do esperado e sonhado sim.

Quando é o momento certo de chegar o sim?

E se há um momento certo, por que ele não chega?

É preciso ansiar tanto por um sim e sofrer com inúmeros nãos?

Por que dizem que alguns nãos são bons, se, apenas, nós somos capazes de distinguir o bom do ruim para nós mesmos? Por quê?

E ao receber o sim, ele, será bom como tanto vaticinaram? Pois, sabemos a origem deles eram apenas nos acalentar, única e exclusivamente afagar-nos.

Calejado e, também, dolorido estou depois de incontáveis nãos, esses assim o são, primeiramente por ter realmente perdido a conta, e por vergonha de permanecer a contagem.

Confesso não abaixar a cabeça após os nãos que a vida vem a me dar, muito pelo contrário, saio mais forte do que entrei, pois o meu fraquejar faz nascer e rejuvenescer a verdadeira fortaleza inerente em mim, e acredito que nos outros obstinados e persistentes, tal como eu, seres humanos também.

Não, mais um para coligir, sei quando chegará o sim, tampouco saberia precisar se este ao chegar será o desejado por mim, mas de fato terá um valor inenarrável, inesquecível e nunca mais o esqueceria.

E continuando a viver com as costas da vida virada para mim, faço uma pergunta que também não sei responder, e talvez por não saber responder, e impacientar-me, estas e outras é que sou premiado com tantos nãos, por que tarda a chegar o sim?

Essa demora será normal? Não sei, também, sei que concordo com Vinícius e Tom, a vida tem sempre razão.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Um quarto sem luz

Em um quarto sem luz nos trancaram, jogaram a chave fora e não podemos sair. Não conseguimos enxergar um palmo em nossa frente, não distinguimos nada, apenas escutamos, olfateamos, palpamos e, sabe-se lá como, sobrevivemos. Fomos defestrados à nossa essência, deixando de fora a aparência, pois se não pudermos ver, de nada adianta ser belo ou feio ou estar bem ou mal vestido. Desta forma, José Saramago nos brindou com sua genialidade no seu Ensaio Sobre a Cegueira, e podemos perceber que não precisa ficar cego ou pôr vendas nos olhos, pois cegos já estamos. E não se trata de uma deficiência física visual, mas sim de uma moral, intelectual, humana, racional, uma vez que nos desprezamos sem que motivo haja, nos ignoramos como seres humanos sem qualquer subterfúgio e mesmo que tivesse o melhor possível não seria válido. Mas além dessa "súbita" cegueira, se é que podemos chamar algo tão duradoudo de breve, há a permanente, aquela tangente a manipulação ou globalização a qual nos dizem todos os dias sem nos darmos, de fato, conta. Dessa, muitos de nós tentam fugir, mas até procurar se esquivar é um modo de ser influenciado, porém pensar diferente, também, já é uma maneira de mudar, ainda que seja uma alteração ínfima, apenas ao seu redor, no seu mundo pequeno e aparentemente real. Contudo, cegos vamos sobrevivendo, mas devemos ter a esperança e acreditar na luz acesa no fim do túnel, mesmo que ela seja a televisão ligada no quarto escuro no qual fomos trancados.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Duas certezas

Rio de Janeiro em uma noite frio de outono, precisamente, num sábado à noite, tal como canta e quiçá profetizava a música. Neste horário noturno os acontecimentos são normais, ainda mais se tratando do cerne da boêmia carioca, portanto há amores com compromisso, sem compromisso, alguns momentâneos, outros levianos e até os “modernos”, aos quais não gosto, não obstante a respeitar a preferência alheia. Enfim, vemos de tudo neste circo terrenho ou voador, mas seja lá qual for é o que vivemos, contudo perante o cotidiano carioca algo me salta os olhos e refiro-me àquele fato insólito. Sim, é um quadro pintado por Tarsila de Amaral, uma música composta por Tom, Toquinho e Vinícius, a qual ao ser cantada conta com a participação da Miúcha para maior abrilhantamento, vejo um filme, com todo roteiro, produzido por Fernando Meirelles ou apenas uma obra de arte escrita por José Saramago, isto é o presenciado nesta noite.

Pois, eu parei, por alguns minutos, o quê fazia e não me importava para onde ia, somente, com intuito de prestar atenção ali, como faço ao me deparar com obras primas do escol supracitado. Aquele garoto, detentor de minha atenção, vendia bala no desvão da madrugada, a fim de ajudar sua mãe, esta sua companheira de labuta, e logo o estranho homem perguntou: Quanto custa o cigarro? E o menino, disse: Dez pilas. O homem pediu um e retorqui: Tá feito, mas faz por oito? Então, o mancebo abaixou a cabeça e disse que iria comunicar sua progenitora e, no instante seguinte voltou, não houve acordo, visto isso só haveria negócio com as dez pilas. Era de se esperar a conclusão e a venda, uma vez que a sede do cigarro para o fumante é saciável custe o que custar, conquanto o estranho homem retorquiu, pela última vez: Tome dez, mas peça dois para sua mãe. Assim foi o desfecho, o qual para muitos é normal e nada para acrescentar, enquanto a minha vista é, simplesmente, no mínimo, por deveras incomum.

Entrando rapidamente no mérito de uma criança trabalhar de modo que caso não o faça terá ausência em sua mesa, pois sua família não tem meios para sustentá-la, e assim sendo algo pesado em excesso para uma mente ainda a descobrir o mundo entender, somando e agravando o fato de ser àquela hora em tal ambiente. Porém, no mundo vivido por nós é uma situação banal, posto que os jovens deixarem de brincar para trabalhar é habitual e pouco interessa o local ou horário, consequentemente minha mentalidade que vê nisso um absurdo é, por total, obsoleta. Okay, sem protestar muito, irei aceitar. Todavia, o estranho homem de óculos e sedento por uma tragada de cigarro e aquela criança pequena com cabelo curto e rosto pueril protagonizaram uma cena incrível, na qual há, para mim, duas certezas. Na primeira, vejo um inefável jovem que está ali por que deve estar e em sua face existem mostras patentes de inocência, como uma garota ainda antes do rompimento do hímen, portanto uma flor pueril. Na segunda, por fim, vejo uma criança induzida para obtenção do poder, do ganho financeiro, na luta por dinheiro, após aquele sorriso maroto, de canto de boca, quando o estranho pronunciava a quantia ou percentual pecuniário, para os mais entendidos, destinado ao garoto, por conseguinte deixando de ser infantil para se tornar um incipiente cliente da sociedade obtentora de lucros, a qual naquele momento conseguia aliciar e angariar uma ex-criança. E foi neste átimo que vi o sangue, do hímen, escorrer pela calçada.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Presente

Conjugue verbos no presente, ele é assaz
Use o pretérito apenas como experiência
Tal qual um presente que não volta mais
Não viva o passado

Conjugue o presente
Apenas com ele conjugará o futuro
E se o presente não for bom
Para novos o usará e não cometerá os mesmos erros

O presente deve ser conjugado
Quiçá sonhando o futuro
O pretérito, apenas, e só, relembrado
E assim viverá um amor sincero e puro.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Reminiscências

As reminiscências acodem os tempos dos quais eu apetecia crescer, época dos quatro, cinco, seis, sete ou seja lá a pouca idade somada que tinha, e meu âmago era obstinado em alcançar a genética do crescimento. Porém, a saudade com requinte duro e árduo de nostalgia e covardia, abata-me o peito, do tempo em que a vida era, simplesmente, vivida, sem compromissos, sem preocupações, sem cotidiano. Sobretudo, sem entender os adultos, os porquês deles, as razões por quais franziam a testa, as discussões de um com outro, os sentimentos, seja em excesso ou em falta. Não, da vida eu nada entendia, e ainda assim o sorriso era permanente, era inocente, pudico, pueril, como era bom ser infantil. Agora, já sei viver, estou contaminado pelos adultos, há em mim o que jamais entendera quando pequeno. Entretanto não me amarguro, pelo contrário, lembro feliz o modo como aproveitei, mormente ao ver aquela senhora andar de mãos dadas àquela criança, de mochila nas costas, caminham a perder de vista, tal qual fazia com a minha saudosa e querida avó, ah tempo bom!

Mas, confesso, se pudesse voltaria o tempo ou pararia o que cá estou, pois doravante sentirei saudades do hoje, o qual tratarei por outrora. E esta paradoxalidade é inerente ao ser humano, ao adulto, é em um breve suspiro quando alguns sais esvaem-se fugitivamente, e vejo que realmente cresci.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Compunção da lua

O céu estava crispado, com olhos quase fechados, dentes cerrados, e só a natureza noturna saberá o porquê ou, talvez, nem ela encontrará os motivos justos para tamanha austeridade celeste. No entanto, debaixo daquela cabana, similar a um faroeste do século passado ou um luau do século contemporâneo, onde tocavam músicas e jovens ouviam-na para alegrar a jogatina e bebedeira, dois olhares e rostos nunca dantes cruzados se acharam como desde o nascimento estivessem a se procurar. Neste átimo, em que ele e ela trocaram olhares e algumas palavras breves sem intenções, sejam elas primeiras ou décimas, ao menos, da parte dela, a cortina acinzentada sobre nossas cabeças se desfez e transformou o pranto da lua, escondida, em sais de alegria, graças à união mesmo fugaz daqueles dois pares de pestana. Porém, por motivos desconhecidos a nós, meros mortais, aquela turma se viu obrigada a dissipar-se e abreviando, abruptamente, a conversa, sobretudo esvaindo os olhos de um dos olhos doutro. Doravante, não saberemos quando o calor das vistas dela reencontrará as dele, se é que um dia irá acontecer mais uma vez, só temos a certeza acerca de suas conversas, as quais jamais se findarão, pois a lua será o pombo correio, enviando e entregando as mensagens ininterruptas e, mormente, enamoradas. Contudo, a última imagem é do céu coberto como outrora e o choro perene da lua, em virtude daquela dispersão.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Açodamento

Meu lápis ganha o papel e principia a escrever o que há no meu pensamento, porém enganam-se aqueles que julgaram e ansiaram por palavras concretas amparadas na mais profunda reflexão. Elas, minha palavras, recebem vida sem preocupar-se com o ontem, mas tampouco ganham rugas de inquietação com o amanhã ainda intangível. Dessa forma, elas vão se esmiuçando e vivendo somente no hoje, sobre o qual não há muito que se falar, pois se trata apenas da primeira conseqüência. Portanto, cônscio disto, deveria seguir o exemplo de minha palavra, do meu lápis, e não fazer o que faço, contudo preocupo-me com o ontem e crispo minha face com o inalcançável amanhã, e tento saciar-me com o inexistente. Logo, minha sede não pode ser saciada com o que já existiu ou com aquilo que nunca houve, sabendo disto, por que não procedo certo? Por que tento beber o volátil em detrimento do líquido? Talvez a resposta seja em um único motivo de existir como ser humano. Todavia se você, também humano que é, lograr em descobrir este porquê não será o descobridor dos sete mares, mas chegará na felicidade terrenha e caso consiga, por favor, aos outros tenha compaixão de ensinar.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Ausência

Ofereça tudo a quem você ama, seja o possível, tangenciável, e se puder até mesmo o impossível, o intangendo. E caso, ainda assim, não haja retribuição ao seu amor, ao seu carinho, não escolha a vereda do desespero como única alternativa ou como solução, pois este te cegará e não fará resolver o busílis da questão. Somente, existe um modo para resolução, portanto dar aquilo nunca pensado para quem, verdadeiramente, ama, isto é, uma junção entre o tangível e intangível, entre o que pode ser visto e o apenas sonhado, esta é a sua ausência. Ela é para os primeiros ou últimos, novos ou velhos, românticos uma ofensa sem precedentes, contudo apenas a presença da ausência nos faz valorizar o que temos e quando temos, podendo ser matéria peso e sentimental, da mesma maneira que se dá valor ao sol na chuva, e no sol à chuva. Destarte, a ausência é feito um eclipse, porque oculta algo dante a vista, porém não apreciado, ao ponto ser necessário ter a presença da ausência para reconhecer, a verdadeira, presença. Por isso ofereça a ausência, faça dela sua ausência. É sua minha ausência.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Seres, inconstantes, humanos

Somos seres – inconstantes - humanos, a divina das máquinas, porém temos um problema inerente e este se constitui de nossos pensamentos, pois podemos nos encontrar felizes em dado momento e logo, no segundo seguinte, não mais. Temos a capacidade, também, do oposto, isto é, gostar e desgostar, amar e desamar, entre outras inúmeras duplas mundanas. E ao que tange a paciência e impaciência, se ora estamos virtudiosos nada precisa acontecer e ainda assim ficamos intransigentes, contudo algo sempre ocorre e nós transformamos em álibi. Todavia, inexiste situação tão banal à nossa mazela do consciente que a alternância entre a certeza e incerteza e para flutuarmos de uma balsa à outra necessita, somente, que o ponteiro mais fino e rápido do relógio dê alguns passos. Portanto, não há o porquê de nos queixarmos de terceiros, quartos e quintos, uma vez que esse sentimento, essas intermitências são comuns para todos, e se você já não sofreu, decerto, já fez alguém sofrer. Caso não tenha ocorrido nenhuma cousa tampouco outra, espere, porque ocorrerá uma ou as duas. Tal vaticínio é tão certo quanto o nascer do sol amanhã ou depois.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Funções originais

Se meus olhos escrevessem seriam o Camões da literatura, descreveriam você com toda sua beleza e luz, repleto de seus contornos singulares e inteligência insólita. Porém, aos meus quando encontrassem os seus haveria um derramamento, inevitável, de sal que talvez outrora fossem lágrimas de Portugal. Este fato aconteceria através de um sentimento intermitente, aflitivo, pungente, abortivo e, sobretudo, amoroso, apaixonante de dois pares que, juntos, brilham por brilhar tal qual o sol nasce por nascer e o dia se inicia e se finda todos os dias, portanto seria algo que meus olhos com toda a retórica e perícia descritiva jamais lograriam precisar. Por fim, pediria humildemente, a eles, para voltarem às suas funções originais de nortear a vida. Pois, este mísero e precioso segundo de encontro dos brilhos meus aos teus é indescritível, não pede palavras, porquanto suplica pelos vossos fechamentos, porque desta margem em diante o amor faz sua parte.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

O outono

Há inúmeras músicas e textos emanando amores e paixões pelas estações do ano, descrevendo-as de modo singular, ao qual eu, decerto, não sou capaz de imitar tampouco me atreveria. Contudo, desconheço por que cargas d’água, esquecem, ignoram ou julgam não valer a pena, o outono. Se não me falhe a memória - e ela vem se ausentando algumas vezes, não por sua culpa talvez, mas por exigência demasiada de seu patrono, por isso isento-a de culpa, mas faço o registro para caso seja preciso me perdoarem – o outono é sim, verdadeiramente, abandonado e lançado ao chão tal qual as folhas desprendidas das árvores.

Pois bem, principiemos, mas de maneira inusitada, ao invés de rogar a estação, decorremos sobre os nascentes nela. Em virtude disso, desde já, peço desculpas aos do inverno, aos da primavera, aos do verão, porquanto os do outono são diferentes...

Quem recebe os primeiros raios de luz no outono distingue-se dos demais, pois doravante, independente da estação, viverá eternamente no outono. Visto que ama com mais facilidade e não odeia com a mesma intensidade, porque é incapaz de odiar, chora tanto quanto fogem das árvores, na estação, as folhas e se elas ganham o chão, eles, os nascentes, têm sobre a face o sal fugitivo do seu âmago, lágrima por sinal perene. Mas para quem chegou ao mundo na época do quase – como descreveria Luis Fernando Veríssimo em seu texto: O Quase – a vida não é só melancolia, senão muito mais risos, muito mais intensidade, muito mais hiperatividade, muita mais alma, muito mais amor, pois nesta época o coração se ausenta, mas também necessita, e é saciado em um grau mais elevado, consoante a pueril verdade. E sobretudo, muito mais garra, muito mais guerreiro. E finalmente atingimos o cerne da questão. Exatamente, se foste bom de percepção e de raciocínio lógico entendeste e percebera no mesmo instante, que após “guerreiro” iniciamos o término da homenagem aos dessa época.

Esta vem mediante ele, São Jorge – quer você acredite nele ou não, quer na sua religião ou religiões tenha outro nome ou até mesmo seja ateu, porém não se pode negar sua força – O guerreiro. Ele não escolheria outro dia para ser seu – 23 de abril – ou outra estação, porque a ele, somente, quem enfrenta muitas dificuldades, chora demasiadamente, padece intensamente e ainda assim tem forças, pondo-se de pé a fim de continuar sua jornada com a mesma obstinação é digno desta estação, é merecedor do outono. Por tudo, os nascentes nele se enquadram em todos esses adjetivos, para alguns depreciativos, para outros indiferentes, mas para Jorge – O Guerreiro – inigualáveis. Uma vez que ele conhece e sabe que só os padecidos, os sofredores são honrosos de grandes méritos – o primeiro é nunca ter desistido – posto que exclusivamente, quem perde e chora – aprendendo com estes – dá o devido valor à vitória, chegando decerto ao pináculo almejado.

Enfim, reiterando, apenas, não menosprezamos ou desvalorizamos os nascentes de outras estações – porque utilizei as datas do ocidente, e tendo em vista o quê nessa vida consta e a ciência explica, em meio à física ou filosofia, as análises quaisquer que forem são relativas - unicamente brindamos, nós, os do outono.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

O som da luz

Certa feita, perguntaram a um cidadão: Quais são os seus sonhos? E sem pensar muito, principiou a enumerá-los: Desejo paz na minha cidade, no meu estado, no meu país, no mundo. Apeteço que a fome seja lembrada na história apenas como uma nódoa da humanidade. Quero o fim da intolerância entre povos, religiões e as demais circunstâncias, pois a ausência de tolerância é o maior defeito, e o início das tragédias, das relações humanas. Torço para que nós possamos viver fraternalmente, sobretudo recuperando a essência da vida em detrimento as aparências. Para mim, a fim de que não diga que há uma abnegação pessoal total e demagogia de minha parte, sonho com uma família e ser feliz ao lado de esposa e filhos, se assim não for, serei feliz de outro jeito também, porque não existe apenas uma fórmula para felicidade.

Nesse instante, segurando o riso e a zombaria, o arguente com o rosto a contorcer em virtude do cárcere daquele sorriso quase frouxo, afirma: Nunca vi um sonhador tal qual o senhor. E sem perder a calma e a serenidade, do mesmo modo que guarda seus anseios, retorquiu o cidadão. Por conseguinte, invertendo os papéis, perguntou para aquele se ele era feliz, a esta pergunta obteve resposta assertiva, ao ar da arrogância. Então, o cidadão colocou-se a ponderar: És feliz em um país no qual a corrupção é gritante; os mensalões saem pelos, literalmente, ladrões; onde a contravenção é latente e bem sucedida; os cartões corporativos e verbas indenizatórias afagam os políticos e governantes – sejam eles dos partidos que forem, fazem parte do mesmo conluio, não oficialmente declarado – em detrimento a pungência dos desabrigados e famintos, aos quais sem nada, todavia com a chegada da chuva, perdem tudo, ou seja, as vidas ou parentes, ou melhor seria dizer nada mesmo; a bola vale mais que a escola; as pessoas morrem em filas de hospitais; em qualquer esquina sua vida pode ser abreviada; onde a imprensa produz notícias consoante seus interesses e perpetuam-se a lograr o povo. Sente-se feliz por não questionar, contudo prefiro os eflúvios dos meus delírios, os mais devaneados possíveis, perante viver na escuridão e, pior, sob a luz de um som bem ecoado em cada canto deste país, o vulgo plim – plim.

A conversação foi interrompida em virtude de barulhos estridentes e intermitentes, aos quais fizeram todos correrem, sejam aqueles que andavam na rua ou estavam parados a papear, sem contar a agitação nos prédios, onde os moradores fechavam inutilmente as janelas, para tentar se proteger, como elas fossem blindadas. E assim se encerrou o assunto, mas de um fato nós temos certeza, aquele arguente zombador e trocista refletirá com esmero sobre a vida.

Em respeito a este diálogo convém pôr um apêndice acerca da sonoridade emitida, venho relatar que, é uma onomatopéia usada para definir em linguagem literária, o som da luz, a qual poderia ser utilizada qualquer outra. Portanto torna-se patente nenhuma alusão feita por mim, e que as inferências trazidas pelos leitores são única e exclusivamente, somente – apenas para com mais força demarcar – de suas responsabilidades.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

O subterfúgio e a acomodação

O subterfúgio é o jeito alheio, ou seja, a maneira do outro proceder conosco e a acomodação trata-se da ausência de ação. Assim lendo, parecem conceitos jogados ao vento como a folha que se desprende da árvore no outono, mas não são, pois em nossa frente estão o presente e a relação, seja essa amorosa ou de amizade, entre uma pessoa e outra. Portanto, vamos esmiuçando a fim de clarear os pensamentos, imaginemos uma situação hipotética: Se duas pessoas são amigas e para não haver confrontos entre elas aja um respeito recíproco, até este ponto está ótimo, no entanto quando uma começa a interferir na outra, constrangendo-a, magoando-a e outros termos pejorativos aos quais poderíamos citar, algo está errado. Porém, com o subterfúgio de que essa pessoa é muito especial e se gosta muito, a que não se encontra feliz, na amizade ou namoro ou família, tolera inúmeras grosserias e agora até mesmo desrespeitos, relatando que a outra age dessa maneira porque é seu jeito. Então, suscita uma dúvida pertinente em forma de pergunta: É válido ignorar nosso maneira de como gostamos de ser bem tratados, por causa dos modos de terceiros, mesmo, ainda sim gostando demais da outra pessoa? Vale à pena? Esta questão é a busílis para inúmeros relacionamentos amorosos, de décadas, anos, meses ou dias e para amizades, pois até que ponto podemos tolerar o outro sem que interfira em nós, no que somos. Esta simulação serve também, por que não se ajustaria, para relações intrafamiliares, nas quais por incontáveis vezes nos deparamos com essas situações.

E a resposta a esses questionamentos vem do antro de cada um, da alma de cada um, das opções de cada indivíduo para sua vida, há é verdade centenas, como pessoas que por escolha se acomodam e abstêm-se da ação efetiva, seja ela um término, recomeço e a melhor das soluções, quando se ainda é possível, a conversa, e por conseguinte submetem-se aos gostos, mandos e desmandos alheios perdendo a própria identidade. Ao tangenciar esta acomodação, um dos mais ilustres pensadores contemporâneos, já finado, John Lennon, dizia que só estamos aptos a amar de verdade, seja em união dos sexos opostos ou uma simples amizade, se antes amarmos a nós mesmos. Visto que só podemos gostar e admirar alguém se dantes de tudo, fazemos por nós, porquanto não é possível algo real sair de onde não há amor próprio, logo o real far-se-á em uma coluna volátil e não passará do patamar de sonho.

Desta forma, fica evidente que os cientistas ao dizerem sobre nossa capacidade distinguível dos demais, como homo sapiens e possuidor do polegar opositor, remete-nos a arte da dialética para equacionar o que nos incomoda e apetece. Um vez que resolvendo a esse modo nossos enclaves com os outros, sem desprezarmos a nós mesmos, sem ignorar o amor interior, pois se isto faltar o sentimento pelo próximo findar-se-á sem sequer iniciar ou será apenas uma doença, na qual a cura é menos difícil do que se pensa tampouco fácil do que se fala.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

O filho e o pai

A qual ponto chegamos? Para onde iremos? Qual será nosso futuro? Por que, aqui, estamos? São perguntas retumbantes que poderiam ser agregadas a inúmeras outras que permeiam nosso roto cotidiano, porém são feitas por um louco ao ar sem tenção de resposta, apenas perguntas. Todavia, este mesmo insano as responde intimamente – por que as soluções do ancião perguntado são padronizadas, as mesmas de sempre, apesar da boa vontade dele - dizendo para si que aonde chegou é um excelente lugar, poderia ser melhor, mas não há o porquê de só se queixar, e pelo lado positivo é de bom tom olhar. Para onde irá e qual será o futuro são questionamentos divergentes, mas no senso comum convergem como uma só dúvida, e para elas temos metas, sonhos e planejamentos servindo como pseudo respostas, pois só o tempo, de fato, acerta essa questão. Por fim, a mais temida, a temerosa pergunta a qual tange o motivo para estarmos aqui, a essa realmente não há uma resposta plausível das milhões existentes, contudo nos satisfazemos com a possibilidade de viver, de buscar a felicidade, seja essa qual for idealizada por nós, pois o importante, o relevante é viver, é ser feliz.

Depois disso, o pai apaga a luz e conclama o sono do seu filho, o perguntador insano, esse o responde com a pergunta das mais insólitas, já sapiente da resposta, por que dormimos? O pai diz para descansarmos e o filho deita, e a fim de fazer o pai dormir finge se satisfazer, no entanto o pupilo sabe na pueril sabedoria, porém mais verdadeira de todas, que a resposta para dormir é acordar e a reposta para acordar é dormir. Mostrando assim, o garoto, que sábio nem sempre são os respondedores, na maioria das vezes, são os inocentes questionadores.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Declama o coração

Acordei inebriado. E me pus de pé em segundos, a ponto de ter aberto apenas um olho. Naquela escuridão andei, cheguei à janela e vi uma grossa bátega ao lado de fora, a qual fazia meus olhos sentirem-se translúcidos. Não me contive ao ver que todos dormiam e a cidade hibernava esta noite, assim me vesti e saí.

Tomei o elevador sem destino - talvez fosse rebeldia minha ou apenas desatino – e no átrio do prédio ausentava-se o porteiro, para sorte minha, porque não queria ser visto. E ao passo que ganhava a rua também encontrava o norte, ele levava-me à praia, para lá caminhei, e em alguns minutos cheguei, mesmo com torrencial chuva. À ela, agradeci por esconder – mesmo que de ninguém fosse – o sal que descia a face.

Lá, quando aportei não vi porto e tampouco saberia dizer se era meu destino, só posso afirmar a vitalidade desta praia para mim, e avistei o ocaso. Ele começava e findava em água, se é que finda. Então, neste momento, a chuva cessou juntamente ao sal meu. Assim, olhei para o infinito – este sim é ao menos até provarem ao contrário – no qual percebi o amor da lua com as estrelas. Notei a distância entre eles, porém a aflição pairava no ar, porque não podiam se beijar, e o amor não podia se consumar, nesta aparente paradoxal proximidade havia uma vida para separá-los. Reparei, também, agora com muito esmero que a Lua desejava a Estrela - sentimento recíproco, por sinal – durante todo dia e ao término dele se ver, contudo, era assaz para declararem seu eterno e mútuo amor.

Pronto, acordei e vi o sol na janela. Assustado, abri o jornal e me deparei com a notícia: “Não chove há dez dias, e o calor começa a incomodar.” Perplexo, pensei que o “calor” nunca tinha me deixado tão amedrontado. Porém, naquele crepúsculo matutino fui apresentado à verdade. Ela me confidenciou que eu não era a Lua e tampouco a Estrela – menos, ainda, pretensão teria eu – e em virtude disso meu amor não era impossível, não era separado por uma vida, era palpável. Entretanto, nada me isentaria de semelhante padecimento, uma vez que se neles morassem a triste certeza da impossibilidade, a mim restava à incerteza, a possibilidade, ou só o quase.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Incoerência eu quero uma pra viver!

Desde nossas mais belas reminiscências ouvimos de pais, avôs e conselheiros mais íntimos: “Seja coerente com suas atitudes, pois só assim seremos respeitados, pois ela, a coerência, deve nos pautar a vida toda, ser formos incoerentes nos penalizarão, no futuro ou logo no presente, pelos erros cometidos.” Esses sermões nos envolvem quando pequenos e permeia nossa criação, até chegarmos à maturidade (?) do ser humano.

Posto isto, eu vos declaro: Incoerência eu quero uma pra viver! Então os mais antenados, seja no aspecto visual ou sonoro, dirão, este cidadão está a parodiar uma música, mais especificadamente Ideologia de Cazuza. Além, é claro, de dizer que atentou contra a moralidade e bons costumes sociais, de efeito essa ótica, não é?

No entanto, não ansiar-me-ei e apeteço o mesmo a vocês que passam seus olhos fadigados por essa palavras, explicarei aos poucos – pois nada de pressa é sadio, e as melhores coisas da vida, consoante ao empirismo, fazemos devagar – o meu ponto de vista, no qual para muitos é horripilante e de extrema ignorância!

Vamos, analisando os fatos sucedidos nas últimas semanas e bombardeados Brasis afora. A igreja, instituição secular e imaculada – pergunto-me até onde – procedeu com perfeita coerência ao excomungar uma menina de nove anos, – diga-se de passagem, estuprada pelo padrasto desde os seis anos - sua mãe e o médico, pois foram agentes atuantes no aborto desta jovem, e aos olhos do Clero o aborto – tal qual o uso da camisinha, esta com intuito de combater a proliferação de doenças sexualmente transmissíveis – é proibido, é inaceitável, uma vez que agride aos dogmas religiosos, mesmo que esses tenham sido concebidos há algumas décadas ou séculos. Em virtude disso, não podemos contestar de modo algum o clérigo, foram inteiramente coerentes, todavia devemos perguntar por que cargas d’água o padrasto – o ser causador do problema, nem entraremos no mérito da agressão física, moral e todas as outras a um ser humano, e ainda mais a uma criança – não foi excomungado. A resposta, para esta busílis, por mais que parece complicado é notória, porquanto os sacerdotes alegarão estar a cargo da justiça dos homens os meios de penalizar este crime hediondo, ou seja, mais uma vez prezando pela, indiscutível, coerência, e assim isentando-o de qualquer, injusta, excomunhão. E estão certos, pois se excomungarem todos os estupradores ou pedófilos, decerto, faltarão oradores designados a nos transmitir a palavra divina.

Agora, desta semana, vejamos com acuro as circunstâncias transcorridas pela violência carioca – antes de tudo, deixemos claro esta violência não ser exclusividade da metrópole carioca, senão, infelizmente, é inerente ao país e, por que não, aos países de uma forma geral – e relacionando a esta coerência tanto proferida nas linhas acima.

Está na constituição, não me pergunte ao artigo, pois não ingressei na faculdade de Direito ainda, que o usuário – deixemos cá um apêndice dizendo que somente traficante e analista de sistema não têm clientes, e sim, usuários – de drogas não é criminoso e apenas o vendedor o é. Assim, sem incoerência, a sociedade pleiteia o fim da criminalidade, o término do tráfico, o principiar da paz, são lindas essas palavras em meio a um “pipoco” e outro – Graças a Deus, não tão certeiros quanto intensos – que colorem a paisagem. Se pusermos a raciocinar, convenhamos a falta de costume de fazê-lo do ser contemporâneo, iremos perceber sutilmente nas linhas transcritas acima algo notável, como pode o vendedor ser criminoso e o comprador não ser – não tenho nada contra o usuário, muito pelo contrário, porque inúmeros amigos meus usam e não deixaram de ser por isso, tal qual espero que não deixem de ser após conhecerem meu pensamento sobre, nas alíneas vindouras – e enquanto um responde processo marginalizado o outro é tratado de forma colérica. Porém, a coerência existe independente se certa ou errada – a partir do seu ponto de vista – no modo de agir do governo, pois cumprem, rigorosamente, o determinado na lei. Assim, todos agem de maneira ímpar, singular, presidencial, já que sabem e dizem desconhecer, bem do jeitinho brasileiro, como uma verdadeira república das bananas.

Portanto, agora, elucidarei brevemente minha análise sobre a questão, na qual reconheço ser delicada, contudo não fácil como profanam e tampouco difícil como se parece – depende da ação incomum, no Brasil, dos governantes – acerca do assunto. Desde já, divido a solução - muitos dirão ser uma resolução infantil, mas se lembrarmos bem as crianças tem por hábito esclarecer de modo mais justo e prático que nós adultos - em dois planos diametralmente opostos, um seria a legalização e outro a criminalização do usuário. O primeiro mostra-se delicado e morre ao nascer, pois tangencia interesses latentes e bate na porta de forças ocultas, e como nossos pais nos ensinaram, não devemos brincar com fogo a fim de manter nossa cama seca. Ainda sobre esse ponto, move a hipocrisia da sociedade brasileira, pelas próprias leis e valores pré-concebidos, mas se nos serve de consolo, todas as outras também as são. Uma vez que essa, nossa sociedade, no píncaro do moralismo não deixaria ocorrer, e se mais um apêndice fizermos, notaremos ter sido este o fator primordial da luta pelo impeachment do Collor, mas isto é passado e, para todo bom brasileiro, não interessa. O segundo, se o um é oito este é oitenta, denota-se da criminalização do usuário, objetivando enforcar aos poucos o sistema, em virtude do famoso axioma do capitalismo, o qual diz ser impossível qualquer negócio, na acepção original da palavra, ser realizado sem comprador ou com ele restrito a uma ínfima minoria. Na última oração me desculpem a redundância, sobre a última opinião idem – visto que tal qual a primeira morre ao nascer, porque esbarra em forças ocultas – pois se trata da mais ignorante das incoerências. E como “no princípio, agora e sempre” devemos respeitar os mais velhos e seus sábios conselhos, logo sejamos coerentes e não falamos mais nisso.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Conversão de sentimentos

Apenas nós seres humanos, meros mortais, que somos, e julgamos ser donos das verdades – sejam elas relativa ou absoluta – conseguimos executar com exatidão e raríssima perfeição o que chamo de conversão de sentimentos. Porquanto ao estarmos cansados, tristes, lúgubres, magoados, em total prostração, ainda sim temos o dom de dissimular, temos o dom de nos simular em nós uma fortaleza inexistente – e incoerente – em qualquer ser vivo, contudo para não expor nossas fraquezas íntimas e sentimentais aos nossos iguais, fingimos – algo que fazemos muito bem – estar saudáveis e fingimos também estar "tudo as mil maravilhas". Enquanto, na verdade, somos corroídos por dentro, tanto pela dor quanto agora pela mentira nossa, a qual omite o padecimento.

Essa atitude, agora, contesto. Por quê? A resposta é simples, no entanto tem bifurcações, uma conta-se do nosso preciosismo e prepotência – e por mais humilde que sejamos, ainda assim temos algum desses defeitos – os quais impedem de transparecer a nossa essência para os outros, aliando nesses, ainda, o medo. A outra se revela de forma silenciosa, e nada mais é do que nosso inconsciente, ou seja, a vergonha de demonstrar nossa fraqueza real, perante a fortaleza – mesmo momentânea - alheia, uma vez que todos nós ora somos fortes, ora somos fracos e para esconder tal situação usamos a conversão de sentimento, característica única e exclusiva de nós seres humanos.

Portanto, se crê que aja necessidade, chore, desabafe e não se importe como e por que irão te julgar, pois o seu julgador de hoje, será, fatalmente, o infeliz de amanhã. Assim, confie em alguém, converse com amigos, podem ser poucos ou muitos – independentemente de números, deve haver confiança neles – mas eles irão auxiliar, porque se nas vitórias nossos amigos nos conhecem, são nas derrotas que conhecemos nossos amigos.