domingo, 27 de março de 2011

Surpresa

A vida acontece de surpresa, de repente, entre “o nada” que antecede e “o nada” que vem a suceder. Neste átimo, ocorre aquilo chamado de vida, e fora dele existe, apenas, sonho e imaginação.

A vida acontece sem hora marcada, sem dia certo, a vida acontece do nada.

A vida, pois, não acontece, definitivamente, no dia do aniversário, em datas festivas, quando “surpresas” são esperadas, tampouco em alguma data especial, nem nos, famigerados, feriados.

A vida acontece no dia a dia, em um cotidiano sem freio, do nada que veio, e daquele devir.

A vida, assim, acontece do nada, e somente, ao lado da mulher amada.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

O muito e o tão pouco

Muita lei, muito ordenamento jurídico, muita norma, muitos fundamentos, muitos princípios e, por fim, no todo, uma pseuda organização.

Todos são muito inteligentes, nunca tive dúvidas, todavia o pré-requisito fundamental para exercer a função, na maioria, está ausente. A respeito disso, o mais triste é constatar que o fulcro diz-se do comprometimento e da vontade, nem me atenho à capacidade ou ao dom de ensinar, que deveriam também ser exigidos, mas é assaz o interesse em passar o conhecimento, a simples instância com a educação.

Acerca de tal quadro, por vezes e não poucas, me pergunto, ou melhor, contesto. Como querem construir um país pelo telhado? Por que ignoram, solenemente, a base (educação)? Por que quem mais cobra a respeito (lê-se os professores) não cumpre, salvo exceções, sua função (lê-se, agora, acerca dos professores de instituições públicas) de modo exemplar, a fim de realmente ter razão, ‘embasada’, para reclamação?

Provavelmente, essas indagações (contestações) são, sempiternamente, vazias, sobretudo porque eles não colocam, de fato, a mão na consciência, pois está intrinsecamente suja. Quando colocam, porém, e depois tiram, lavam imediatamente com água raz, para que os outros não enxerguem as sujeiras e tampouco sintam o odor pútrido de suas consciências.

Resta-nos, dessa forma, escolher o verbo e a sua conjugação, dentro das opções, essas são: Ver, vender ou vendar. Eu (estou), humildemente, vendo (verbo ver, no gerúndio). E embora sem repercussão, ao menos tento mudar. Mas e você, pelo quadro instalado, o quê fará? Vendar-se-á (vendar)?! ou Vender-se-á (vender)?



PS: As alíneas acima demonstram a minha indignação com alguns professores da rede pública de ensino, situação a qual passo há tempo e não melhorou muito com o passar dos anos. Ademais, para mim, médicos e professores são subvalorizados e deveriam ter maior valorização salarial e maior reconhecimento social. Logo, minha crítica é voltada aos poucos, porém não insignificantes, péssimos profissionais que temos na rede de ensino e que maculam a imagem dos bons professores, os quais aparecem em maioria.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Rio de todos os meses

Cidade encantada
Da boêmia à intelectualidade,
Zona Sul, Subúrbio e Baixada
De amor e de saudade.

Dos dias de praia
Das noites de luau
Loiras, Morenas e Mulatas
Nos fazem passar mal

Somos um povo de atitude,
Regado ao carnaval.
Disse o poetinha, com elegância e lascividade,
Amamos o Rio amiúde

Cidade cantada
O samba é quem quis.
Cidade falada
É Machado de Assis.

PS: Texto referente ao domingo dia treze (13) de fevereiro de 2011.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Rascunho de um amor sem rascunho

Não sei por onde começar. Sequer, na verdade, tenho certeza que deveria iniciar, pois, muito provavelmente, esta carta não chegará à sua destinatária. E caso chegue, não terá importância, não será recebiba com o mesmo amor e devoção expressos pelo seu remetente.
Mas, ainda que essas palavras nunca sejam lidas, ou se forem e, assim sendo, ficarem abandonadas em algum canto da casa até chegarem ao lixo ou, ainda, se forem rejeitadas e rasgadas, tão logo quando lidas, e posteriormente defenestradas, não me interessa. O fato é que essas inócuas palavras devem e sairão de dentro de mim para ganharem vida no papel. E se fortuitamente, se lê-las, goste, verá o quão intenso é o meu sentimento por ti.

Portanto, destarte, a amarei mesmo que me odeie, mesmo que não olhe mais meus olhos, ainda que me queira mal, ainda que fale mal de mim, mesmo que vire o rosto ao me ver, ainda que nunca mais pense em mim e mesmo que nunca mais a veja. Por que o meu amor é amor por ser amor, não rima com ‘favor’, ‘dor’ ou ‘flor’, apenas com amor. E este ao nascer, foi fogo-fátuo, espontâneo e suficiente por si mesmo, e só morrerá, embora só carnalmente, quando eu, desse mundo, partir. Todavia, saiba sempre, se um dia quiser tal amor, terá a realização da felicidade e, sobretudo, terá em mim aquilo que não há em ti, pois a amo tanto quanto a mim, e saiba, outrossim, maior amor, nesta vida, inexiste.




PS: Texto referente ao domingo dia trinta (30) de Janeiro de 2011.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Recordação

É impressionante!
Meus olhos não conseguem te esquecer.
São iguais ao diamante
E brilham quando recordam de você

Esforcei-me para não lembrar,
Mas é uma luta vã
E nela sou derrotado cotidianamente,
No entanto, escondo de todos, pois meu Amor mente.

Seus olhos e seu rosto são ímpares,
E sua beleza está no meu pensamento,
Assim, como é para o mar a força do vento.

Porém, não sei se me esqueces.
Dentre esta e todas as dúvidas, me resta a certeza:
Que um dia, para sempre, nos amaremos sob os olhos da natureza.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Antidemocrático

Calma! Sem pânico! Não falarei sobre a imunda e famigerada política brasileira (e/ou internacional), embora o título nos leve a crer que seja isso, e, também, muito embora eu goste de falar/discutir acerca do assunto, tanto para expor meu ponto de vista, quanto para aprender; enfim, essa situação não vem ao caso.

O que vem à mão é o assunto mais trivial e banal possível, trata-se do tempo. Posto que, esses dias, ao andar de ônibus e ser, quase, afogado no vento voraz e impetuoso que nos atinge ao rosto quando ganhamos o a Enseada de Botafogo e/ou o Aterro do Flamengo, pensei o quão injusto, 'inequânime' e antidemocrático é o tempo. Uma vez que, ao olhar para o relógio e calcular que demoraria uns 30 minutos para chegar em casa, me indaguei se a senhora simpática ao meu lado também demoraria o mesmo tempo, pois aparentava um cansaço secular, embora a idade aparentasse ser, no máximo, de uma septagenária.

Foi então que, neste momento, um estalo deu-se sobre mim, após essa análise infame de circunstância e de tempo. Assim sendo, me perguntei: E se os tempos meu e dela fossem de 30 minutos, ainda assim seriam iguais? Por que 30 minutos para uma pessoa que viva 80, 90 ou 100 anos é diferente de outrem que viva 70, por exemplo. Logo o tempo, ainda que igual, é ‘menor’ para um e ‘maior’ para outros, lendo isto, parece uma análise filosófica-científica. No entanto, não é, a ilação é simples, trivial, banal como uma filosofia de botequim. Deduz-se, desse modo, que devemos respeitar o tempo de cada um, o tempo de aprendizagem, o tempo de erro, o tempo de descobertas, o tempo de ensinamentos, porquanto todos têm ‘tempos’ (para isto tudo que foi dito e de outras situações da vida) distintos, e qualquer comparação é imparcial e/ou, no mínimo, leviana. Destarte, a sociedade que propala a todos os ventos uma democracia e uma igualdade é substancialmente injusta, 'inequânime' e antidemocrática, ao objetivar um enquadramento naquilo ‘que é’ porque o ‘tempo’ assim o quer ou assim determina.

Portanto, em meu humilde prisma social jamais chegaremos perto de alguma democracia se desconsiderarmos as distinções de cada ser, sobretudo o tempo de cada um, tão logo, por conseguinte, é inócuo uma tentativa visceral de igualdade de direitos, deveres, valores éticos e morais sem considerar e avaliar cada indivíduo. Com efeito, deve haver um respeito para cada ser unicamente e, posteriormente, para o todo, porque tentar ou objetivar um respeito global desconsiderando o indivíduo, é assassinar a potencialidade do ser humano, é enquadrar e domesticar a vida; porque irá desconsiderar todas as possibilidades daquilo que poderia ter sido e não foi, e as possibilidades de cada um somar ao mundo o seu melhor, tudo isso em razão de uma 'antidemocracia temporal' ‘imposta’ pela sociedade.

Concluo, humildemente, que não há tempo certo para viver ou deixar de viver, e, mormente, não há tempo certo para ser feliz. Assim vamos viver ou deixar de viver o que quisermos, quando bem entendermos, e principalmente que sejamos felizes.