domingo, 29 de agosto de 2010

Ter-te-ei

És linda,
Como as noites do Rio
A ti, eu quero amar
Deixas meu corpo no cio
És, cintilante, estrela no ar

És linda,
Não sei se é sol ou lua
Ou se a desejo em casa ou na rua
Talvez, somente, queira chamar-te de querida
Embora esteja sempre vestida

Linda és,
E no meu pensamento vive nua
Junto ao sexo infinito
Pertencer-lhe como as estrelas da Lua
Posto que nosso amor é, outrossim, bonito

Linda és,
Inefável é o amor
Sensível o prazer
Em meus olhos, ainda, há dor
Que é, apenas, por enquanto, estar longe de você.

domingo, 15 de agosto de 2010

Rimas pobres, rico Amor

Seus olhos?
Duas jabuticabas cintilantes
Seus seios?
Duas, grandes, maçãs vigorosas e cheias de vida


Mas o que mais me enternece
São as maçãs do seu rosto
Junto com seu lindo sorriso exposto
E a voz baixa, porém suave, que sai de você


És quem me deixa a sonhar
Seja dormindo ou acordado
Quiçá, quando oportuno, me declaro
Porque, embora de longe, me faz te amar


E em época de frutas vulgares
Não sofres desses males
Digo não apenas por que eu a estime
Mas, mormente, por teres essa beleza sublime

Inefável

Deveria existir uma palavra para exprimir a tristeza, mas que dissesse mais do que a tristeza em si, ou seja, deveria haver um terma ou uma expressão, cujos sentimentos da tristeza inerentes ao nosso corpo, de maneira que de uma só vez expressasse tudo aquilo que carregamos dentro de nós. Todavia, confesso, se este termo fosse vivo, ele, não conseguiria designar o que trago, dentro de mim, pois isto é um "mister" de tristeza, melancolia, saudade que foi e já não o é, impotência, inércia, perplexidade, fraqueza, piedade alheia e de si, sofreguidão, e total prostração física e moral.

Desse modo, exponho a angustia de toda maneira aflitiva, e desculpem- me esse pleonamo vicioso expressado por mim, que é não poder ajudar quem a gente ama, e nunca deixará de amar, porque é sangue do nosso sangue, como diria os antigos.

E assim, tenho me encontrado, entre a cruz a caldeirinha, entre o querer e o não haver o que fazer, e, definitivamente, entre a vontade ensandecida de ajudar e a sabedoria prévia que tudo que for feito é escusado, é em vão, pois não depende em nada de você, no caso em particular, de mim.

Quiçá, a panaceia seja a filosofia antiga, a qual prega: Nada melhor que o tempo futuro para sarar uma mácula do tempo presente. Confesso desconhecer, entretanto, a confiabilidade e validade plena desse axioma, mas admito esperar pela sua validade plena como a madrugada anseia pela noite todos os dias, porque não há dor pior do que ver o sofrimento de um irmão, e estar atado, vendado, sem poder fazer absolutamente nada, senão aguardar o caminhar dos ponteiros do relógio.


PS: Esse texto é relativo ao dia oito(8) de agosto e, é postado hoje, por motivos de força maior.

domingo, 25 de julho de 2010

Qual espécie raciocina?

Nos anais da história canina, nunca um cão matou seu semelhante e deu para outro ser de espécie distinta, tampouco da mesma, comer, porém, já o ser humano...Infelizmente, não podemos afirmar o mesmo concernente ao ser, dito, humano, pois este é capaz de grandes feitos e proezas, contudo, também de atitudes deploráveis, as quais tornam-se, por mais triste que seja constatar, frequentes. Assim, com pesar, corroboro com o famigerado escritor português, único Nobel da Língua Portuguesa, o qual diz que saberemos cada vez menos o que é um ser humano. Ademais, acrescento, humildemente, será o ser ainda humano ou a “humanidade” perdeu completamente, ou parcialmente, o adjetivo humano?

Essa e outras perguntas “pipocam” ao cotidiano, já as respostas vão se esvaindo e quando são “fortes”, demonstram-se, tacitamente, sussurradas como soluções gritadas no deserto, ecoadas para o mundo, ouvidas por ninguém, quiçá nem sequer pelos céus.



PS: Este assunto, o qual não preciso ser explícito para todos entenderem, já está mais do que batido, todavia, eu não havia comentado, portando resolvi abordá-lo, mas de maneira distinta. Deixo, assim, minha indignação.
Qual é o caminho da humanidade?! E retomando aquela vetusta música do Lulu Santos, contesto: Será assim que, infelizmente, caminha a humanidade?!

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Não é de Dirceu

Não sou Tomás
Não sou Antônio
Não sou Gonzaga
Tampouco inconfidente

Mas meu amor é assaz
Sou, porém, anônimo
E ela minha mulher amada
Destarte, deixa-me contente

Seu nome é homônimo
Ela não é de Dirceu
O que me faz querer mais

Como ela não é dele
Procuro ser o antônimo
Pois, Dela sou eu


PS: Desculpo-me, com os, poucos, que lêem e estimam este, inexpressivo, blogue, pelo atraso da postagem, mas esse ocorreu em razão de problemas técnicos.

domingo, 27 de junho de 2010

Homenagem a José Saramago

Decerto, essa minha homenagem não é nada, uma vez que não terá, obviamente, repercussão (e nem tenciona a ter) e torna-se ainda mais insignificante porque, como tantas outras, é pós-morte. Todavia, por ter grande estima a esse escritor, único nobel da língua portuguesa até então, e leitor de suas obras, faço uma singela homenagem.

Faço-a porquanto considero que cresci como agente humano depois de ler José Saramago, uma vez que sua visão crítica do mundo contemporâneo alertou-me sobre inúmeras situações, que muito provavelmente não as veria sozinho e se pudesse ver, demoraria, certamente, muito mais.

Assim, sem mais tergiversações, deixarei para a reflexão de todos duas epígrafes de dois livros do autor, deixo claro que por escolhê-las, não as considero melhor que as demais, somente optei por elas, como poderia ter sido outras tantas desse notável escritor. Elas são respectivamente dos livros, "Todos os nomes" (1997) e "Ensaio sobre a cegueira" (1995).

Conheces o nome que te deram, não conheces o nome que tens. - Livro das Evidências.

Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara. - Livro dos Conselhos.

Ambas, creio, valem o deleite literário e a reflexão humanística.

domingo, 13 de junho de 2010

Quem precisa de salvação?

Ressalva: Se fores patriota de seleção brasileira, por favor, ignore-me ou então nem inicie a leitura das alíneas vindouras, pois para você será uma ofensa inenarrável. Ademais, quero deixar bem claro, que não sou contra eventos esportivos ainda mais os envolventes ao mundo, tampouco sou contra o futebol, muito pelo contrário, o esporte bretão é intrínseco às minhas veias, pulsa nelas juntamente ao meu sangue. Logo, espero que não levem como um, reducionista, pessimismo ontológico.


Pronto. O circo está armado. O carnaval iniciou-se.
Em intervalos de quatro anos, o Brasil, simplesmente, para, ou melhor, acorda para um pseudo, temporário, patriotismo, o que nos faz remeter à ideia de mais um carnaval a cada interlúdio deste. Somos definitivamente, assim, o país do feriado e carnaval muito mais do que o futebol propriamente dito, e a propósito para aqueles que não sabem, pesquisas comprovam que, em nosso país, apenas quarenta e poucos porcentos gostam e acompanham futebol, logo se corrobora a tese de que somos sim o país do carnaval e do feriado.

Pressuponho, então, que há esta mobilização porque existe uma identificação entre a seleção e o Brasil. Todavia, não duvido que essa ligação já tenha existido, porém hoje é inventada e trabalhada pelos meios de comunicação que, de certa maneira, manietam o povo. Suscito uma pergunta, dessa forma: O que é o Brasil, e o que é a seleção? Sugiro a reflexão.

Após esta, vejo uma dicotomia e uma distância colossal entre elas. Não sei ao certo, logo, se a seleção não representa o Brasil ou se o Brasil não é representado pela seleção. Vejamos bem, isto se evidencia ao passo que a maioria dos jogadores da Seleção não mora no país, não falam, cotidianamente, nossa língua, não usam a mesma moeda que nós, tem hábitos culturais diferentes e não raramente, sequer, desejam voltar ao Brasil.

Destarte, quando a seleção está em campo não enxergo o Brasil, pelo contrário, vejo um Brasil fora dele e este com fome, na miséria, sem educação, e por que não sem liberdade, uma vez que de liberdade depreende-se ter direito à saúde, cultura entre outras coisas. Lembro-me, portanto, de Gabriel O Pensador que diz: “Futebol não se aprende na escola, por isso que o Brasil é bom de bola”; certamente, senão, seríamos com a bola, nos pés, analfabetos funcionais.

Porém, assim vive o pseudo patriotismo e a cegueira total, pergunto-me, então, quantas bandeiras resistirão se houver uma eliminação precoce? Sugiro, logo, ignorarmos a seleção e nos preocuparmos com aqueles que querem os nossos olhos, somente, na seleção e investem na alienação. Por fim, invoco uma bandeira que representou e sempre representará o Brasil, trata-se de Manuel, sim, Manuel Bandeira. Se fosse, ele, vivo perguntaria, se Pasárgada é melhor e se há lugar para todos lá. Pois, melhor seria irmos para Pasárgada, porquanto lá ninguém quereria a salvação da seleção.