domingo, 24 de outubro de 2010

Mulher

Ó mulher,
Tu de pele glabra
E de beleza rara
Deixa-me louco
Quando estrinde seu gemido rouco


Ó mulher,
Ao seu lado não estou preso
Ao contrário, estou solto
Poderia ser um ébrio, um pródigo
Mas por ti, sou apenas um doido

Ó mulher,
Vórtice da paixão.
Mulher do sim e do não
A mesma face é alegre e triste
És do choro e do perdão

Ó mulher,
Sem você, a vida perde o riste
Sua ausência, deixa-me desventurado
Por isso, que surjas em mim
Como a fé no desesperado!

domingo, 10 de outubro de 2010

O presente, o futuro e a aflição da tecnologia

Aquilo que mais aflinge os visionários, os futuristas, os tecnólogos, e todos preocupados exclusivamente com a tecnologia e seus adventos, é o presente. Porquanto o presente, o hoje, restringe o tempo e, por conseguinte, os avanços, uma vez que o tempo, por mais que queiram ou tentam, não acelera. Os ponteiros do relógio, desse modo, continuam suas performaces paulatinamente, sem se crisparem de preocupação, somente seguindo a sua função vital. Os sedentos por uma novidade, portanto, ficam entre o "velho" da história, ou seja, o passado e o desejado, ou seja, esperado e sonhado para o futuro, assim permanecendo, embora a ojeriza, no restritivo, e não apreciado, presente. Dessa forma, sinceramente, vos digo: Esqueçam os ébrios sedentos, e aproveitem o presente que está em nossas mãos.

domingo, 26 de setembro de 2010

Em todas as esferas

Eu quero você
Como um dia a morte vai me querer
Amar-te-ei sem ausência
Em sua plenitude


Sem você, a vida é sobrevivência
Não rogo onipresença
Mas um amor grande e amiúde
Vigor que nem a morte tem em essência


Assim, nem que da Terra
Eu me mude
Olvidar-te-ei


Pois, se o amor é sempiterno
De Você
Eu também serei.

domingo, 12 de setembro de 2010

Infelicidade se compra, felicidade não

Enquanto as pessoas, viventes deste vale de lágrimas, continuarem a ver o lado financeiro como fim último, permanecerão infelizes ou manter-se-ão à procura da felicidade, sem se dar conta que procurá-la é, simplesmente, não tê-la e desconhecê-la. O objetivo pecuniário, assim sendo, deve ser, na sua melhor acepção, talvez a única realmente boa, um meio, uma ferramenta ou uma ponte para se chegar ao fim, sem esquecermos que até pontes de madeira fazem ligações. Portanto, a ponte não precisa ser a melhor, a mais cara ou a mais moderna, basta, somente, nos dar o fim almejado. Desta forma, ao assimilar este conceito, os seres veriam que felicidade se sente, não se procura ou se acha, tampouco se compra.

domingo, 29 de agosto de 2010

Ter-te-ei

És linda,
Como as noites do Rio
A ti, eu quero amar
Deixas meu corpo no cio
És, cintilante, estrela no ar

És linda,
Não sei se é sol ou lua
Ou se a desejo em casa ou na rua
Talvez, somente, queira chamar-te de querida
Embora esteja sempre vestida

Linda és,
E no meu pensamento vive nua
Junto ao sexo infinito
Pertencer-lhe como as estrelas da Lua
Posto que nosso amor é, outrossim, bonito

Linda és,
Inefável é o amor
Sensível o prazer
Em meus olhos, ainda, há dor
Que é, apenas, por enquanto, estar longe de você.

domingo, 15 de agosto de 2010

Rimas pobres, rico Amor

Seus olhos?
Duas jabuticabas cintilantes
Seus seios?
Duas, grandes, maçãs vigorosas e cheias de vida


Mas o que mais me enternece
São as maçãs do seu rosto
Junto com seu lindo sorriso exposto
E a voz baixa, porém suave, que sai de você


És quem me deixa a sonhar
Seja dormindo ou acordado
Quiçá, quando oportuno, me declaro
Porque, embora de longe, me faz te amar


E em época de frutas vulgares
Não sofres desses males
Digo não apenas por que eu a estime
Mas, mormente, por teres essa beleza sublime

Inefável

Deveria existir uma palavra para exprimir a tristeza, mas que dissesse mais do que a tristeza em si, ou seja, deveria haver um terma ou uma expressão, cujos sentimentos da tristeza inerentes ao nosso corpo, de maneira que de uma só vez expressasse tudo aquilo que carregamos dentro de nós. Todavia, confesso, se este termo fosse vivo, ele, não conseguiria designar o que trago, dentro de mim, pois isto é um "mister" de tristeza, melancolia, saudade que foi e já não o é, impotência, inércia, perplexidade, fraqueza, piedade alheia e de si, sofreguidão, e total prostração física e moral.

Desse modo, exponho a angustia de toda maneira aflitiva, e desculpem- me esse pleonamo vicioso expressado por mim, que é não poder ajudar quem a gente ama, e nunca deixará de amar, porque é sangue do nosso sangue, como diria os antigos.

E assim, tenho me encontrado, entre a cruz a caldeirinha, entre o querer e o não haver o que fazer, e, definitivamente, entre a vontade ensandecida de ajudar e a sabedoria prévia que tudo que for feito é escusado, é em vão, pois não depende em nada de você, no caso em particular, de mim.

Quiçá, a panaceia seja a filosofia antiga, a qual prega: Nada melhor que o tempo futuro para sarar uma mácula do tempo presente. Confesso desconhecer, entretanto, a confiabilidade e validade plena desse axioma, mas admito esperar pela sua validade plena como a madrugada anseia pela noite todos os dias, porque não há dor pior do que ver o sofrimento de um irmão, e estar atado, vendado, sem poder fazer absolutamente nada, senão aguardar o caminhar dos ponteiros do relógio.


PS: Esse texto é relativo ao dia oito(8) de agosto e, é postado hoje, por motivos de força maior.