domingo, 5 de dezembro de 2010

Olhos que nunca viram

Hoje, li uma reportagem em que cientistas descobriram técnicas para recuperar, na totalidade ou parcialmente, a visão de pessoas com problemas nas córneas, sejam elas desde nascença ou por vicissitudes da vida.

Particularmente, fiquei extremamente feliz, não apenas por estas pessoas realizarem o maior sonho de vossas vidas, como por me solidarizar com este sentimento, essa angústia, e essa aflição. Todavia, minha felicidade vai além, pois, para mim, estas pessoas ‘enxergavam’ o mundo de outra maneira, porque ‘olhavam’ com olhos internos, do sentimento, do verdadeiramente humano, portanto, a meu ver, se tentarem empreender ao mundo aquilo que sonhavam/imaginavam, teríamos uma substancial melhora na perspectiva da humanidade, de modo nunca antes visto. Entretanto, se esses outrora cegos estiverem ‘cegos’ da alma como outros, que sempre enxergaram, contemporâneos ou se deixarem ‘cegar’ pelos outros ou, ainda, se se considerarem insuficientes seus esforços para mudanças e desistirem de enxergar ao abrirem mão de suas idéias, estaremos, assim, fadados à hecatombe humana.

Desta forma, torna-se patente que se a humanidade continuar a conjugar os verbos, na 1ª pessoa do presente, vender e/ou vendar em detrimento do ver, no gerúndio, e, por livre arbítrio, decidir por não enxergar, sofreremos bastante. Portanto, nesta vida de ‘ver, vender ou vendar’, resta-nos ver – não ficar mudo – e mudar, pois eu, sozinho, até mudo, mas juntos mudaremos e quiçá modificaremos.

domingo, 21 de novembro de 2010

Engano??

Dizia mentira que era verdade
E quando dizia que era verdade,
Na verdade, era mentira.
Assim, erroneamente, procedia

Mas essa farsa
De ora mentira
Ora verdade
Era para olvidá-la

Ou melhor,
Esconder o amor
Que por ela sentia

Ao brincar com verdade e mentira
Eu, portanto, subjetivei e enganei
Sobre aquele amor que em mim não cabia.

O nunca e o pra sempre

A certeza que temos é que o 'nunca' sempre chega e o 'pra sempre', sempre acaba - como nos diria filosoficamente Cássia Eller em sua canção -, seja por quaisquer motivos isto irá ocorrer, pois nada é tão volátil quanto o 'nunca' e o 'pra sempre'.

Portanto, decerto, desse engano não morremos.




PS: Texto referente ao domingo dia 7 de novembro.

domingo, 24 de outubro de 2010

Mulher

Ó mulher,
Tu de pele glabra
E de beleza rara
Deixa-me louco
Quando estrinde seu gemido rouco


Ó mulher,
Ao seu lado não estou preso
Ao contrário, estou solto
Poderia ser um ébrio, um pródigo
Mas por ti, sou apenas um doido

Ó mulher,
Vórtice da paixão.
Mulher do sim e do não
A mesma face é alegre e triste
És do choro e do perdão

Ó mulher,
Sem você, a vida perde o riste
Sua ausência, deixa-me desventurado
Por isso, que surjas em mim
Como a fé no desesperado!

domingo, 10 de outubro de 2010

O presente, o futuro e a aflição da tecnologia

Aquilo que mais aflinge os visionários, os futuristas, os tecnólogos, e todos preocupados exclusivamente com a tecnologia e seus adventos, é o presente. Porquanto o presente, o hoje, restringe o tempo e, por conseguinte, os avanços, uma vez que o tempo, por mais que queiram ou tentam, não acelera. Os ponteiros do relógio, desse modo, continuam suas performaces paulatinamente, sem se crisparem de preocupação, somente seguindo a sua função vital. Os sedentos por uma novidade, portanto, ficam entre o "velho" da história, ou seja, o passado e o desejado, ou seja, esperado e sonhado para o futuro, assim permanecendo, embora a ojeriza, no restritivo, e não apreciado, presente. Dessa forma, sinceramente, vos digo: Esqueçam os ébrios sedentos, e aproveitem o presente que está em nossas mãos.

domingo, 26 de setembro de 2010

Em todas as esferas

Eu quero você
Como um dia a morte vai me querer
Amar-te-ei sem ausência
Em sua plenitude


Sem você, a vida é sobrevivência
Não rogo onipresença
Mas um amor grande e amiúde
Vigor que nem a morte tem em essência


Assim, nem que da Terra
Eu me mude
Olvidar-te-ei


Pois, se o amor é sempiterno
De Você
Eu também serei.

domingo, 12 de setembro de 2010

Infelicidade se compra, felicidade não

Enquanto as pessoas, viventes deste vale de lágrimas, continuarem a ver o lado financeiro como fim último, permanecerão infelizes ou manter-se-ão à procura da felicidade, sem se dar conta que procurá-la é, simplesmente, não tê-la e desconhecê-la. O objetivo pecuniário, assim sendo, deve ser, na sua melhor acepção, talvez a única realmente boa, um meio, uma ferramenta ou uma ponte para se chegar ao fim, sem esquecermos que até pontes de madeira fazem ligações. Portanto, a ponte não precisa ser a melhor, a mais cara ou a mais moderna, basta, somente, nos dar o fim almejado. Desta forma, ao assimilar este conceito, os seres veriam que felicidade se sente, não se procura ou se acha, tampouco se compra.