Calma! Sem pânico! Não falarei sobre a imunda e famigerada política brasileira (e/ou internacional), embora o título nos leve a crer que seja isso, e, também, muito embora eu goste de falar/discutir acerca do assunto, tanto para expor meu ponto de vista, quanto para aprender; enfim, essa situação não vem ao caso.
O que vem à mão é o assunto mais trivial e banal possível, trata-se do tempo. Posto que, esses dias, ao andar de ônibus e ser, quase, afogado no vento voraz e impetuoso que nos atinge ao rosto quando ganhamos o a Enseada de Botafogo e/ou o Aterro do Flamengo, pensei o quão injusto, 'inequânime' e antidemocrático é o tempo. Uma vez que, ao olhar para o relógio e calcular que demoraria uns 30 minutos para chegar em casa, me indaguei se a senhora simpática ao meu lado também demoraria o mesmo tempo, pois aparentava um cansaço secular, embora a idade aparentasse ser, no máximo, de uma septagenária.
Foi então que, neste momento, um estalo deu-se sobre mim, após essa análise infame de circunstância e de tempo. Assim sendo, me perguntei: E se os tempos meu e dela fossem de 30 minutos, ainda assim seriam iguais? Por que 30 minutos para uma pessoa que viva 80, 90 ou 100 anos é diferente de outrem que viva 70, por exemplo. Logo o tempo, ainda que igual, é ‘menor’ para um e ‘maior’ para outros, lendo isto, parece uma análise filosófica-científica. No entanto, não é, a ilação é simples, trivial, banal como uma filosofia de botequim. Deduz-se, desse modo, que devemos respeitar o tempo de cada um, o tempo de aprendizagem, o tempo de erro, o tempo de descobertas, o tempo de ensinamentos, porquanto todos têm ‘tempos’ (para isto tudo que foi dito e de outras situações da vida) distintos, e qualquer comparação é imparcial e/ou, no mínimo, leviana. Destarte, a sociedade que propala a todos os ventos uma democracia e uma igualdade é substancialmente injusta, 'inequânime' e antidemocrática, ao objetivar um enquadramento naquilo ‘que é’ porque o ‘tempo’ assim o quer ou assim determina.
Portanto, em meu humilde prisma social jamais chegaremos perto de alguma democracia se desconsiderarmos as distinções de cada ser, sobretudo o tempo de cada um, tão logo, por conseguinte, é inócuo uma tentativa visceral de igualdade de direitos, deveres, valores éticos e morais sem considerar e avaliar cada indivíduo. Com efeito, deve haver um respeito para cada ser unicamente e, posteriormente, para o todo, porque tentar ou objetivar um respeito global desconsiderando o indivíduo, é assassinar a potencialidade do ser humano, é enquadrar e domesticar a vida; porque irá desconsiderar todas as possibilidades daquilo que poderia ter sido e não foi, e as possibilidades de cada um somar ao mundo o seu melhor, tudo isso em razão de uma 'antidemocracia temporal' ‘imposta’ pela sociedade.
Concluo, humildemente, que não há tempo certo para viver ou deixar de viver, e, mormente, não há tempo certo para ser feliz. Assim vamos viver ou deixar de viver o que quisermos, quando bem entendermos, e principalmente que sejamos felizes.
domingo, 2 de janeiro de 2011
domingo, 19 de dezembro de 2010
Tradução
Suor que se transforma em amor
Contato corporal, com ela, tira-me a razão
Transformei-a em meu pecado visceral
Contato corporal, com ela, tira-me a razão
Transformei-a em meu pecado visceral
Posto que não quero a cura, apenas a emoção
Sentimento acima do bem e do mal
Os poetas, por vezes, se remetem com dor
Para mim, é minha loucura
Desejo, sofreguidão, amor, paixão, usura
A contemporaneidade diz ser anormal
Mas por ela, sou outro, meu corpo ‘urra’
Sou lua e nuvem à espera de luau
O tempo de mora, ainda que um átimo, é uma surra
Alguns cantam, outros escrevem
Há quem diga que o amor não exista
Com ela, o meu existe, insiste, resiste, seja alegre ou triste
Loucuras traduzidas por mim, e não poderiam ser por mais ninguém.
Sentimento acima do bem e do mal
Os poetas, por vezes, se remetem com dor
Para mim, é minha loucura
Desejo, sofreguidão, amor, paixão, usura
A contemporaneidade diz ser anormal
Mas por ela, sou outro, meu corpo ‘urra’
Sou lua e nuvem à espera de luau
O tempo de mora, ainda que um átimo, é uma surra
Alguns cantam, outros escrevem
Há quem diga que o amor não exista
Com ela, o meu existe, insiste, resiste, seja alegre ou triste
Loucuras traduzidas por mim, e não poderiam ser por mais ninguém.
domingo, 5 de dezembro de 2010
Olhos que nunca viram
Hoje, li uma reportagem em que cientistas descobriram técnicas para recuperar, na totalidade ou parcialmente, a visão de pessoas com problemas nas córneas, sejam elas desde nascença ou por vicissitudes da vida.
Particularmente, fiquei extremamente feliz, não apenas por estas pessoas realizarem o maior sonho de vossas vidas, como por me solidarizar com este sentimento, essa angústia, e essa aflição. Todavia, minha felicidade vai além, pois, para mim, estas pessoas ‘enxergavam’ o mundo de outra maneira, porque ‘olhavam’ com olhos internos, do sentimento, do verdadeiramente humano, portanto, a meu ver, se tentarem empreender ao mundo aquilo que sonhavam/imaginavam, teríamos uma substancial melhora na perspectiva da humanidade, de modo nunca antes visto. Entretanto, se esses outrora cegos estiverem ‘cegos’ da alma como outros, que sempre enxergaram, contemporâneos ou se deixarem ‘cegar’ pelos outros ou, ainda, se se considerarem insuficientes seus esforços para mudanças e desistirem de enxergar ao abrirem mão de suas idéias, estaremos, assim, fadados à hecatombe humana.
Desta forma, torna-se patente que se a humanidade continuar a conjugar os verbos, na 1ª pessoa do presente, vender e/ou vendar em detrimento do ver, no gerúndio, e, por livre arbítrio, decidir por não enxergar, sofreremos bastante. Portanto, nesta vida de ‘ver, vender ou vendar’, resta-nos ver – não ficar mudo – e mudar, pois eu, sozinho, até mudo, mas juntos mudaremos e quiçá modificaremos.
Particularmente, fiquei extremamente feliz, não apenas por estas pessoas realizarem o maior sonho de vossas vidas, como por me solidarizar com este sentimento, essa angústia, e essa aflição. Todavia, minha felicidade vai além, pois, para mim, estas pessoas ‘enxergavam’ o mundo de outra maneira, porque ‘olhavam’ com olhos internos, do sentimento, do verdadeiramente humano, portanto, a meu ver, se tentarem empreender ao mundo aquilo que sonhavam/imaginavam, teríamos uma substancial melhora na perspectiva da humanidade, de modo nunca antes visto. Entretanto, se esses outrora cegos estiverem ‘cegos’ da alma como outros, que sempre enxergaram, contemporâneos ou se deixarem ‘cegar’ pelos outros ou, ainda, se se considerarem insuficientes seus esforços para mudanças e desistirem de enxergar ao abrirem mão de suas idéias, estaremos, assim, fadados à hecatombe humana.
Desta forma, torna-se patente que se a humanidade continuar a conjugar os verbos, na 1ª pessoa do presente, vender e/ou vendar em detrimento do ver, no gerúndio, e, por livre arbítrio, decidir por não enxergar, sofreremos bastante. Portanto, nesta vida de ‘ver, vender ou vendar’, resta-nos ver – não ficar mudo – e mudar, pois eu, sozinho, até mudo, mas juntos mudaremos e quiçá modificaremos.
domingo, 21 de novembro de 2010
Engano??
Dizia mentira que era verdade
E quando dizia que era verdade,
Na verdade, era mentira.
Assim, erroneamente, procedia
Mas essa farsa
De ora mentira
Ora verdade
Era para olvidá-la
Ou melhor,
Esconder o amor
Que por ela sentia
Ao brincar com verdade e mentira
Eu, portanto, subjetivei e enganei
Sobre aquele amor que em mim não cabia.
E quando dizia que era verdade,
Na verdade, era mentira.
Assim, erroneamente, procedia
Mas essa farsa
De ora mentira
Ora verdade
Era para olvidá-la
Ou melhor,
Esconder o amor
Que por ela sentia
Ao brincar com verdade e mentira
Eu, portanto, subjetivei e enganei
Sobre aquele amor que em mim não cabia.
O nunca e o pra sempre
A certeza que temos é que o 'nunca' sempre chega e o 'pra sempre', sempre acaba - como nos diria filosoficamente Cássia Eller em sua canção -, seja por quaisquer motivos isto irá ocorrer, pois nada é tão volátil quanto o 'nunca' e o 'pra sempre'.
Portanto, decerto, desse engano não morremos.
PS: Texto referente ao domingo dia 7 de novembro.
Portanto, decerto, desse engano não morremos.
PS: Texto referente ao domingo dia 7 de novembro.
domingo, 24 de outubro de 2010
Mulher
Ó mulher,
Tu de pele glabra
E de beleza rara
Deixa-me louco
Quando estrinde seu gemido rouco
Ó mulher,
Ao seu lado não estou preso
Ao contrário, estou solto
Poderia ser um ébrio, um pródigo
Mas por ti, sou apenas um doido
Tu de pele glabra
E de beleza rara
Deixa-me louco
Quando estrinde seu gemido rouco
Ó mulher,
Ao seu lado não estou preso
Ao contrário, estou solto
Poderia ser um ébrio, um pródigo
Mas por ti, sou apenas um doido
Ó mulher,
Vórtice da paixão.
Mulher do sim e do não
A mesma face é alegre e triste
És do choro e do perdão
Ó mulher,
Sem você, a vida perde o riste
Sua ausência, deixa-me desventurado
Por isso, que surjas em mim
Como a fé no desesperado!
domingo, 10 de outubro de 2010
O presente, o futuro e a aflição da tecnologia
Aquilo que mais aflinge os visionários, os futuristas, os tecnólogos, e todos preocupados exclusivamente com a tecnologia e seus adventos, é o presente. Porquanto o presente, o hoje, restringe o tempo e, por conseguinte, os avanços, uma vez que o tempo, por mais que queiram ou tentam, não acelera. Os ponteiros do relógio, desse modo, continuam suas performaces paulatinamente, sem se crisparem de preocupação, somente seguindo a sua função vital. Os sedentos por uma novidade, portanto, ficam entre o "velho" da história, ou seja, o passado e o desejado, ou seja, esperado e sonhado para o futuro, assim permanecendo, embora a ojeriza, no restritivo, e não apreciado, presente. Dessa forma, sinceramente, vos digo: Esqueçam os ébrios sedentos, e aproveitem o presente que está em nossas mãos.
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